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quarta-feira, 3 de abril de 2013

O QUE TRANCA O DIACONATO PERMANENTE -6-



Continuação.
Testemunho favorável ao diaconato permanente:

         Vamos, em partes, sentir a lição apostólica do bispo dom Aloísio Cardeal Lorscheider que com autoridade  e forte vinculo com o Sagrado e normas da Igreja enobrece o diaconato, a exemplo de tantos outros bispos. 



4ª PARTE:



Uma Igreja toda ministerial



“4. Uma Igreja toda ministerial significa uma Igreja que se propõe em seu ser e agir o ministério de Cristo. O ministério salvífico de Cristo prolonga-se sacramentalmente no ministério da Igreja. Existimos e servimos uma Igreja rica em ministérios (Santo Domingo, 66) O ministério eclesial situa-se em relação e em função do povo, no povo e para o povo de Deus. Povo todo sacerdotal e ministerial, povo profético e carismático, todo ele enviado para transformar. O ministério eclesial não é apenas função de serviço no povo e para o povo, mas também com o protagonismo do povo, a partir de sua sacerdotalidade e ministerialidade. Todos reis, profetas, sacerdotes (Êxodo 19,6). Raça eleita, sacerdócio régio, nação santa, povo de sua particular propriedade, a fim de que proclamais as excelências daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa (1Pd. 2,9).

Precisamente em vista desta sacerdotalidade e ministerialidade de todo o Povo de Deus, os bispos em santo Domingo (1992) diziam em relação aos diáconos permanentes: "Propomo-nos a criar os espaços necessários para que os diáconos colaborem na animação dos serviços na Igreja, detectando e promovendo líderes, estimulando à co-responsabilidade de todos para uma cultura da reconciliação e solidariedade" (n. 27)

Na Igreja antiga, até o século V, o diaconado tinha uma grande importância. Depois do Bispo e estreitamente ligado a ele, o diácono era o principal ministro da jerarquia. Paulo VI no motu proprio "Ad pascendum" relembra que o diácono era chamado "ouvido, boca, coração e alma do bispo" (Didascalia Apostolorum, II, 44,4). Em nome do Bispo , os diáconos cuidavam dos contatos humanos necessários para continuar e animar na Igreja o serviço de Jesus que "lava os pés" aos irmãos. Diz um texto do século III: "Os diáconos devem andar de um lado para outro, ocupar-se dos próprios irmãos no que se refere à alma e ao corpo, e manter informado de tudo isso o bispo" (Homilias clementinas, III, 67). Toda a Igreja local deveria ter seus diáconos "em número proporcionado aos dos membros da Igreja, para que pudessem conhecer e ajudar a cada um" (Didascalia Apostolorum, XVI).

No século V começou a decadência do diaconato até se reduzir apenas a uma simples função litúrgica, acabando, não sendo nada mais nada menos, do que um degrau rumo ao presbiterado.

Veio o Vaticano II, recuperou o diaconato, mas não totalmente. Por isso até hoje o diaconato ainda não se encontrou e não é aceito em várias dioceses. É claro que isto é uma falta de perspectiva. Por que?

Olhando o objetivo do Vaticano II que era o do "aggiornamento", da renovação da Igreja, podemos dizer que o diaconato renasce como fator de renovação. A renovação na linha de uma comunidade eclesial cada vez mais "sacramento de salvação" (LG, 48; AG, 1,5; GS, 45) e sinal da presença divina no mundo (AG. 15). O diaconato deve orientar o caminho renovador dentro de uma Igreja serva e pobre.

Para realizar bem este serviço, o diácono deve promover o desenvolvimento de comunidades que permitam um tratamento pessoal e fraterno entre os seus membros (cf Medellín. 15,10). São comunidades nas quais é possível individualizar as necessidades concretas e o serviço como partilha. Para as comunidades de grandes proporções, onde muitos permanecem anônimos, não há espaço para um ministério animador de serviço. É nas comunidades eclesiais de base que o ministério diaconal deveria encontrar o seu espaço de animação.

Já que o ministério do diácono se realiza preferentemente no campo do anúncio da Palavra de Deus (a diaconia da evangelização: todo diácono deve ser um evangelizador e um animador da evangelização), ou no campo da liturgia (abre-se aqui um grande campo de serviço: só pensar no batismo - preparação - celebração - acompanhamento; na palavra desabrochando nos círculos bíblicos...), no campo das obras de misericórdia ou da caridade (a Cáritas...), o diácono deve distinguir-se sempre por uma característica de capilaridade e de contato imediato com as pessoas e os pequenos grupos, de sorte que a percepção das necessidades concretas vá sempre unida ao estímulo dos serviços correspondentes.

No âmbito das comunidades humanas o diácono é chamado a ser sinal de Cristo servo em todos os ambientes nos quais as criaturas humanas vivem, trabalham, sofrem, gozam e lutam pela justiça. Deste modo ele leva a termo uma evangelização capilar, anunciando a cada pessoa concreta que Cristo é quem a ama e se aproxima dela para servi-la. Ao mesmo tempo, ele se afirma como fermento profético para que uma Igreja serva do mundo (servidora do mundo) tenha uma eficácia sanante em ordem a libertar a sociedade humana do pecado e de suas conseqüências de poder e de opressão.”
continua

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