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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Q U A R E S M A

Quaresma[1]
2012
Diác. Narelvi

         O sentido da quaresma está na preparação para a Páscoa e com esse objetivo foi que surgiu aproximadamente há duzentos anos d.C o costume de reservar três dias dedicados a oração, meditação e jejum em memória da morte de Jesus.    Pelo ano 350 d.C esse tempo foi aumentado para 40 dias, daí a expressão quaresma.

         Na Bíblia, muitas vezes os números são simbólicos. O numero 40, por exemplo, era empregado para indicar um período como os 40 dias e 40 noites de Moisés na montanha, a duração do dilúvio, etc. Enfim, servia para indicar um tempo de algum acontecimento importante. 

         Naturalmente que a mais importante data da cristandade é a que comemora a Ressurreição de Jesus, a Páscoa, quando Ele mostra sua vitória sobre a morte e demonstra a sua divindade.

         Para um momento tão importante, nada mais oportuno do que dedicar um tempo especial prévio para que o homem medite e se reencontre com o Senhor através do arrependimento, da penitencia e do perdão. Não que nos outros dias sejam dispensados os atos penitenciais, mas realmente se torna a quaresma um tempo forte e especial para a reconciliação e conversão.

         O roxo do tempo da quaresma é para significar que devemos concentrar as nossas ações religiosas e cotidianas num constante exercício de penitencia, voltando os nossos pensamentos para o nosso interior lembrando o quanto Jesus sofreu por nossa causa, pelos nossos pecados, até a morte na cruz para que pudéssemos alcançar a Salvação.

         É um tempo de reconciliação plena, entre amigos, irmãos, maridos, esposas e filhos, de acabar com as inimizades, com os preconceitos sociais e religiosos. É um momento de retomada da PAZ.

         Para enriquecer esse momento quaresmal a Igreja promove diversos atos litúrgicos voltados ao arrependimento e ao perdão, com Missas, confissões, cultos, vias sacras, procissões, até chegar a Semana Santa com comoventes celebrações como a via sacra, trasladação do Senhor dos Passos, Benção dos Ramos, Lava-pés, Missa da Ceia do Senhor (Instituição da Eucaristia), Celebração da Paixão e Morte do Senhor, Procissão do enterro do Senhor, do encontro de Jesus com sua Mãe, o canto da Verônica, e outras atividades religiosas dependendo dos costumes e do ânimo da comunidade, até chegar ao tríduo Pascal terminando com a solene Missa da Páscoa no domingo.


[1] Subsídios: Celebrando a Palavra, de Fernando Armellini, Ano B, Ed. Ave Maria.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

JÁ NÃO ME LEMBRAREI DOS TEUS PECADOS - 1ª parte

Reflexão dominical - 7º DTC – Ano B – 19.02.2012
 Is 43,18-19.21-22.24b-25; Cor 1, 18-22; Mc 2,1-12

1ª PARTE
(clicar no assunto "reflexão dominical" para ver as duas partes)
         
         Isaias nos traz uma mensagem muito consoladora.
         Como Deus olhará para nós se considerarmos o nosso passado como um tempo de pecado e de vergonha?
         Muitos se perguntam ou então apontam o dedo para os reconciliados que saíram dos vícios pecaminosos de outrora e se transformaram em pessoas idôneas e convertidas, para uma vida religiosa como leigos e leigas engajados na vida de Igreja e até mesmo como ministros ordenados.
         A leitura de Isaias inicia assim: “Assim fala o Senhor: ‘Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos’”.  E termina assim: “Sou eu mesmo que cancelo tuas culpas por minha causa e já não me lembrarei de teus pecados”.
         Deus é a essência do amor, da reconciliação e do perdão. Por difícil que seja de entender, Deus espera do pecador um simples gesto de arrependimento e para isso Ele prepara todo o seu caminho e tudo faz para que encontre espaços para mudanças. Para que isto aconteça, o Senhor fará coisas que parecem impossível: “abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca”, diz.
         Meus irmãos, quando nos aproximamos da confissão e recebemos a absolvição, todos os pecados são perdoados e deixam de existir. É como se Deus passasse uma borracha. O pecado perdoado desaparece, deixa de existir. Portanto, o homem reconciliado é uma pessoa nova. Nada do que tenha ele feito de errado no passado, nem sombra dele, deve ser lembrado nem pelo reconciliado e menos ainda pelos ouros reparadores da vida alheia. E deveria ser assim também na linha da conduta humana em sociedade.
         Logo, meus irmãos, se alguém errou no passado, que isso possa lhe servir como exemplo a ser comparado para firmeza dos passos futuros, porém, jamais para sentir-se culpado a vida inteira por algo que Deus já perdoou.     

Na carta de São Paulo podemos aproveitar para completar a reflexão.
Embora Deus perdoe sempre, espera de nós fidelidade.   Ele quer que a nossa resposta seja sempre SIM para os seus ensinamentos, e não SIM e NÃO ao mesmo tempo.
O SIM que Deus espera, e que o AMÉM também representa, deve ser firme para o reconciliado, um propósito de vida. Mesmo sob a nossa fraqueza espiritual, cada um tem o dever de assumir uma posição coerente com a dignidade humana, com uma vida santa. Aproveitar dos caminhos que o Senhor abre para cada dia reencontrar a perfeição.
 CONTINUA

JÁ NÃO ME LEMBRAREI DOS TEUS PECADOS - 2ª parte.

Reflexão dominical - 7º DTC - Ano B - 19.02.2012
 Is 43,18-19.21-22.24b-25; Cor 1, 18-22; Mc 2,1-12

2ª PARTE
(clicar no assunto "reflexão dominical" para ver as duas partes)

Um dos caminhos de Deus encontramos em Jesus Cristo. O Evangelho de hoje ensina que Jesus tem o poder de perdoar os pecados.
Naturalmente que compete ao pecador enxergar a Luz de Cristo e demonstrar a sua intenção de viver uma vida digna. Deus é acolhedor, mas não arrasta ninguém na marra.
Na historia do paralítico que foi conduzido por quatro homens e que para chegar a Jesus rumaram no meio da multidão, subiram na casa, abriram o teto e pela abertura baixaram aquele homem doente na busca de cura bem diante de Jesus que reconhecendo a sua fé,  não espera e de pronto perdoa os seus pecados: “Filho os teus pecados estão perdoados”.  
Somente depois de questionamentos entre os Mestres da Lei captados por Jesus veio-lhes a resposta em forma de pergunta: “O que é mais fácil: dizer ao paralítico ‘os teus pecados estão perdoados’  ou dizer:  ‘Levanta-te, pega a tua cama e anda’?
Jesus quis dizer que era muito mais fácil perdoar os pecados. Mas não deixou de curar aquele homem.
A lição de Jesus, portanto, foi nos fazer ver que verdadeiramente tem Ele o poder de perdoar os pecados dependendo exclusivamente do desejo do pecador.
Na reflexão de hoje, tranquilizemos os nossos corações para que tenhamos a certeza de que, uma vez reconciliados, nada do nosso passado de culpas perturbará o nosso momento presente e nem o futuro.
Jesus é assim. Vale a pena ser seu amigo e seguidor, de alguém que nos faz exclamar como aqueles que testemunharam o perdão e a cura do paralítico: “Nunca vimos uma coisa assim”.
Louvado seja N.S. Jesus Cristo
Diác. Narelvi

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

DOM LADISLAU BIERNASKI, UM AMIGO E INCENTIVADOR DO DIACONATO PERMANENTE.

* 1937   +  13.02.2012

Tristeza para a Igreja terrena, mas alegria para a Igreja celeste. Faleceu ontem, Dom Ladislau Biernaski um homem de origem simples e que na simplicidade viveu e jamais portou-se com soberba apesar da sua excelente formação em todos os níveis dos conhecimentos humanos, principalmente dentro da sua maior vocação: a religiosa.

Dom Ladislau foi bispo auxiliar da Arquidiocese de Curitiba-Paraná de 1979 a 2006 tendo sido nomeado Bispo da Diocese de São José dos Pinhais em 06 de dezembro de 2006 e teve o privilégio de ter recebido a ordenação episcopal das sagradas mãos do hoje beato João Paulo II, em Roma.  

Um homem de Deus que teve a sua vida toda cheia de virtudes e como bispo soube liderar o povo  como verdadeiro pastor conduzindo-o com muita humildade e compreensão sempre com seus olhos voltados para os irmãos necessitados, premiando a Igreja Católica com os seus méritos.

"Ele é a nossa paz"

Conforme disse o Pe. Carlos Alberto Chiquim em sua mensagem, “Dom Ladislau era Lazarista e conhecido pela sua atuação junto às pastorais e movimentos sociais. O Paraná perde o seu maior profeta, homem simples, identificado com o povo e o grande defensor dos pobres, pequenos e injustiçados. “Ele é a nossa paz” era o lema de Dom Ladislau, lema este que vivenciou durante toda a sua vida de padre, bispo auxiliar e bispo diocesano. Atuante junto à Comissão Pastoral da Terra, da qual foi seu presidente até 2011, Dom Ladislau não media esforços para intermediar questões políticas e sociais, quando a vida dos mais simples estava em jogo. Fundador de pastorais sociais e entidades de defesa da vida, Dom Ladislau foi o secretario da CNBB, Regional Sul II para o quadriênio2007-2011”, além de outros infindáveis serviços.

Para nós diáconos permanentes, Dom Ladislau demonstrou sempre respeito e amizade, e reconhecia o tripé clerical: Bispos, presbíteros e diáconos sem os quais a Igreja não existiria.
Desde o seu tempo de bispo auxiliar de Curitiba, a sua participação pela instituição do diaconato permanente, ao lado de Dom Pedro Fedalto e Dom Mocyr José Vitti, inegavelmente foi decisiva para tornar realidade a Escola Diaconal São Filipe de Curitiba inclusive na condição de responsável pelo acompanhamento dos candidatos e diáconos, sempre presente, portanto, com suas palestras e orientações.  
Ao assumir a diocese de São José dos Pinhais, continuou confiando nos diáconos permanentes sob sua jurisdição atribuindo-lhes tarefas importantes na administração da diocese. Sempre foi amigo e acessível formando e ordenando novos diáconos permanentes.
Lamentamos a sua morte porque nos faz falta. Mas nos sentimos confortados porque tivemos um líder e dirigente espiritual, amigo de coração aberto, que hoje goza no Céu o prêmio merecido dos justos.
Que o seu exemplo, Dom Ladislau, fortaleça a nossa fé.
Diac. Narelvi

domingo, 12 de fevereiro de 2012

IMPURO! IMPURO! - 1ª PARTE



6º DTC – Reflexão dominical – 12.02.2012 – Ano B
Lv 13,1-2.44-46; 1Cor 10,31-11,1; Mc 1,40-45

 1ª PARTE

Prezados amigos e irmãos em Jesus Cristo.

         Que terrível a lei judaica que o Levítico descreve. Por mais que tentássemos nos incorporar às vítimas da lepra daquele tempo não conseguiríamos entender o suficiente dos sofrimentos dos leprosos.
         Afastados das suas casas e parentes, proibidos de circular dentro das cidades, impedidos de aproximarem-se das pessoas, trajados pobremente com vestes rasgadas, cabelos e barbas sem nenhum cuidado, exalando mau cheiro,   verdadeiros maltrapilhos que além dos sofrimentos físicos, viviam uma das piores humilhações sendo obrigados a anunciarem-se para que outros não se aproximassem, gritando: “Impuro! impuro!”. Quanto sofrimento!
         O máximo que poderíamos imaginar a seus respeitos seria o fato de que eram portadores de doença incurável, destinados à morte lenta sentindo seus corpos apodrecerem em vida.  E ainda eram considerados vítimas de seus próprios pecados...
         Hoje, felizmente, a lepra não é mais danosa assim. Existem tratamentos e curas, e os portadores dessa doença não são excluídos, convivendo harmoniosamente em família e na sociedade.
         Mas doentes, pobres, fragilizados e rejeitados, abandonados pelas próprias pessoas e pelo governo que arrota vantagens na área de saúde, ainda existem irmãos nossos que mesmo sem a mancha da lepra antiga sofrem a miséria corporal e vexatória devido a outras enfermidades que muito bem poderiam ser evitadas ou curadas. E eles estão por aí, nas calçadas, debaixo de pontes, caminhando aos nossos olhos, mendigando um pedacinho de pão ou míseros centavos que sem consciência também se expõem como quem a gritar: “ImpuroI impuro!”. E não pensem que estão somente nesses lugares. Muitos tem até suas casinhas e parentes, mas longe dos tratamentos de saúde, das assistências médicas.
CONTINUA

IMPURO! IMPURO! - 2ª PARTE

6º DTC – Reflexão dominical – 12.02.2012 – Ano B
Lv 13,1-2.44-46; 1Cor 10,31-11,1; Mc 1,40-45
2ª PARTE

 São Paulo mostra às pessoas, de qualquer crença ou religião, um comportamento que pode ajudar os nossos irmãos a sofrerem menos: basta colocar em ação as obras de  Deus como prioridade. Dar-se a si mesmo por amor aos que sofrem. Fazer tudo “para a glória de Deus”. Qualquer coisa que vocês façam coloquem Deus e o próximo à sua frente.
         São Paulo fazia assim. Ele dá o seu testemunho dizendo que buscava não o que era vantajoso para ele, mas que fosse vantajoso para os irmãos.
         Falava o Apóstolo da Salvação da alma, mas que tem um propósito muito forte também para a cura ou alivio dos sofrimentos humanos.
       Vivemos numa época em que falsos e perigosos ídolos se apresentam em diversos segmentos da sociedade, principalmente  nos meios artísticos, políticos e esportivos que carregam multidões para a ruída moral, ao desinteresse pelos valores humanos realmente úteis, éticos e cristãos.  Por que, então, ao invés, não seguirmos os exemplos de Jesus Cristo e de São Paulo???
           
         Veja meu irmão, que Jesus veio para eliminar os maus costumes. Se dantes se rejeitava os leprosos, Jesus age justamente de forma contrária: ouve o clamor do leproso, estende a sua mão e o cura. E responde ao grito do enfermo: quero sim te curar!
         Imagine meu irmão, o tesouro que temos ao nosso alcance: Jesus! Tesouro não no sentido de riqueza patrimonial, mas alguém que fortalece as nossas almas, nossas vidas, os nossos corações, e que é capaz de transformar os sofrimentos e rancores em bênçãos e graças a ponto de nos levar a oferecer um pouco mais de nós aos nossos irmãos menos favorecidos.
         Você pode! Esses enfermos físicos e sociais podem estar bem pertinho de você. Ajude-os!
Louvado seja N.S. Jesus Cristo.
                 Diác. Narelvi

AVE MARIA DO PEÃO

       Ao reponte do sol que descamba / no dia se aprochega para o arremate / pelos campos e nos matos da querência / no revoar da bicharada voltando ao ninho / é hora de recolhimento.
       No rancho que há no interior / de mim mesmo / eu, gaúcho de fé me arrincono e medito
Despindo o poncho da vaidade e do orgulho / tiro o chapéu, apago o pito / e me achego pra uma prosa
com o patrão maior.
       Na sua presença  / meu sangue quente de farrapo se faz manso caudal / entrego-lhe minha alma
afoita de alcançar lonjuras / e abrir cancha em busca do destino / renuncio à minha xucra rebeldia
me faço doce de volta / e macio de tranco  para dizer-lhe Gracias patrão por tudo que me deste
por esta querência Senhor / que meus ancestrais regaram com seu sangue / e que aprendi a amar desde piá
        Pelos meus parceiros / nessa ronda da vida / sempre de prontidão para / me amadrinharem na campereada mais custosa / ou para matearem comigo na hora do sossego
        Reparte com eles, patrão / esta fé que me deste / e este orgulho pela minha querência
        Ajuda patrão a manter acessa esta chama / concede sempre ao gaúcho a força no braço
e o tino pra saber o que é correto.
       Dá-nos consciência para preservar a nossa cultura / livre da invasão dos modismos / conserva a essência e a beleza da nossa tradição
       E agora, com licença patrão / que vou aproveitar a olada / para um dedo de prosa com Nossa Senhora:

Ave Maria / primeira prenda do céu / contigo está o Senhor, / na estância maior tu és bendita entre todas as prendas / e bendito é o piá que trouxeste ao mundo, Jesus.

Maria, mãe de Deus / E mãe de todos nós / roga pela querência e pelos gaudérios que aqui moram / nesta hora e no instante / da última cavalgada. Amém