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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

PADRE STANISLAW TURBANSKI - falecido em 30/11/2012

"Faleceu hoje, dia 30 de novembro de 2012,  com 97 anos de idade o nosso Confrade Pe. Stanislaw Turbanski.  A Missa do corpo presente e enterro vais ser amanhã dia 1 de dezembro de 2012 às 10:00h em Ponta Grossa na CASA DOS MISSIONARIOS DO VERBO DIVINO; Rua Julia da Costa, 505"

Assim foi divulgado no blog da Congregação Verbo Divino.
O católico deve sempre ser grato aos seus bons párocos.
O Pe. Stanislaw a quem chamo de meu professor, dentre aqueles que se foram é um dos que merece não somente a minha, mas a gratidão dos paroquianos de Nossa Senhora do Porto, de Morretes.
Polonês forte nas suas atitudes mas que soube cuidar do seu rebanho com carinho, compreensão e respeito.
Foi no seu tempo que implantamos um editorial formativo e informativo da paróquia,  BOLETIM PAROQUIAL de circulação mensal sob minha coordenação. Foi com ele que implantamos à noite, um encontro semanal às segundas feiras que chamamos de BATE PAPO RELIGIOSO que contava com bom numero de interessados, quando duvidas eram esclarecidas e discutidos assuntos de interesse da nossa Igreja. E não faltava uma das marcas da nossa amizade que era o aperitivo em sua casa aos domingos após a ultima Missa quando o assunto principal era discorrer sobre a doutrina cristã católica de onde vieram boa parte dos meus conhecimentos sobre religião.
No silencio celeste da Casa dos Missionários do Verbo Divino o querido Pe. Stanislaw nos deixou em novembro de 2012 para ir morar na Casa do Pai.  Fica a nossa saudades e a nossa certeza de fé que contamos com mais este Santo no Céu.
Para marcar este momento, divulgo o BOLETIM ESPECIAL dedicado a ele nos seus 50 anos de sacerdócio. Meu abraço ao Pe. Stanislaw. Dc Narelvi.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A RENUNCIA DO PAPA




            Que o Papa pode renunciar, todo o mundo sabe, principalmente os católicos (ou deveriam saber). Mas tão rara é a decisão que nem sequer imaginávamos que iríamos testemunhar a renuncia de um Papa.

            E agora? Nada! Tudo continua.

            Afinal, não estamos tratando de uma entidade qualquer que não sobrevive por muito tempo, que inicia suas atividades hoje e pode encerrar amanhã. Nem de uma igreja particular que nem mesmo um chefe mundial soberano tenha, ao menos que represente Jesus aqui na terra.

            Estamos tratando de uma entidade religiosa que não por acaso foi fundada por Jesus Cristo há 2.013 anos (ou 1.980 se contarmos a partir dos 33 anos de Cristo, ou 1.986/1.987 se levarmos em conta o erro do calculista monge Denis).

Estamos testemunhando algo que há séculos não acontecia, pois que o último Papa a renunciar foi Gregório XII em 1415. O Brasil nem existia.

Somos, portanto, testemunhas de um fato histórico e religioso extraordinário que embora venha a ser ratificado no próximo dia 28, já é um fato consumado.

Deixa o pontificado o bispo de Roma Joseph Alois Ratzinger, o Papa Bento XVI, e outro sucessor teremos já em seguida mantendo a sucessão apostólica e a  cadeia sucessória dos papas desde São Pedro que ocupará o mesmo trono como o 265º Papa da Igreja Católica Apostólica Romana, e ininterruptamente.

Falar aqui sobre o homem extraordinário que é Bento XVI torna-se desnecessário porque sua história, suas virtudes e destaque como um dos maiores teólogos do mundo, e como chefe e dirigente espiritual  dos católicos todos conhecem mundialmente e hoje, então, amplamente noticiado em todos os meios de comunicações.

O sentimento é de apego à pessoa de Joseph Alois Ratzinger pelo que fez como Papa Bento XVI e não de medo ou de recuo, afinal Jesus mesmo disse ao seu antecessor Pedro “NÃO TENHAS MEDO! DORAVANTE SERÁS PESCADOR DE HOMENS”. A mesma coragem se transmitiu a Bento XVI que honrou todas as afirmações de Jesus a respeito da chefia de sua Igreja.

Por que a Igreja Católica sobrevive há tantos séculos? Por que a renuncia não nos intimida e nos mantém tranquilos?

PORQUE TEMOS A PRESENÇA DO ESPÍRITO SANTO. PORQUE JESUS ATESTOU: “EIS QUE EU ESTOU CONVOSCO TODOS OS DIAS, ATÉ O FIM DO MUNDO”.

Alegremo-nos, portanto,  e coloquemos nossas orações para que os cardeais reunidos em conclave decidam pela Luz Divina dando-nos um novo Papa que traga novas idéias e iniciativas para a nossa Igreja segundo o Evangelho de Cristo, com coragem, sem medo, esforçando-se pelo crescimento espiritual dos cristãos e para que haja um só pastor, um só rebanho. 

E a Joseph A. Ratzinger, nossos agradecimentos e nossas orações para que continue firme na sua pastoral catequética como Luz do Mundo.

Diac. Narelvi

quinta-feira, 31 de maio de 2012

DOM ALFREDO ERNEST NOVACK C.Ss.R

Dom Alfredo Ernest Novack C.Ss.R
Bispo emérito de Paranaguá-PR

         No início deste mes de maio, a serviço no fórum de Campina Grande do Sul, lembrei do Revmo. Dom Alfredo que reside e resolvi fazer o quemuito tempo me propunha: Visitá-lo.
Afinal, tivemos longos anos de convivência e de colaboração recíproca como amigos e como meu bispo quando eu ainda era leigo e paroquiano da Diocese de Paranaguá.
Foi com ele que tive a primeira conversa sobre a minha vocação para o diaconato.
Preparando para a visita, por telefone fiz contado com uma funcionária sua (a Cristina não se encontrava) que intermediou dizendo ao Dom Alfredo sobre a visita que pretendia fazer naquele momento, e a resposta foi “Diácono, o sr. Pode vir. Ele acaba de fazer a barba e está a sua espera. Ele ficou muito contente quando ouviu o seu nome
Foi ótimo ver novamente Dom Alfredo, mas ao mesmo tempo me encheu de tristeza ao olhar para ele que me aguardava na sala, e vê-lo debilitado fisicamente,  sentadinho, emagrecido,  com seu rosto um tanto diferente daquele que conhecemos no vigor do seu episcopado na Diocese de Paranaguá. Não precisou de apresentação pois ele me reconheceu de imediato  e logo que o cumprimentei percebi  dificuldade na sua fala em razão da enfermidade conhecida porMal de Parkinson”, mesmo assim entendi quando ele disse Que bom. Como você me encontrou aqui?
Foi difícil de dialogar  - pois estávamos somente nos dois na sala -  e nos limitamos a trocar rapidamente algumas lembranças com destaque aos bons tempos em que trabalhamos juntos. Ele mais ouvia do que falava pois sua dicção esta quase indecifrável e poucas palavras entendi. Muitas coisas eu gostaria de contar-lhe sobre a minha vida, principalmente a diaconal que foi ele o primeiro responsável depois de Jesus pelo meu ingresso na Escola Diaconal e pela minha ordenação que recebeu dele consentimento para ser ordenado em outra diocese frisando que não era contra o diaconato por questão de coerência com o seu episcopado. Entretanto, por respeito a sua idade e ao seu estado de saúde resolvi falar pouco e não toquei no assunto. Trocamos apenas algumas palavras e demonstrações de carinho e afeto quando me senti pequeno diante dele, ora segurando sua mão, ora o acariciando.
Mas uma coisa eu senti, que  mesmo sob os efeitos da doença, está consciente e guarda por todos enorme carinho e respeito repassados a mim naquele momento quando anunciei que precisava ir embora. Essas palavras entendi e me fizeram muito bem: vai? É cedo! Que você seja feliz na tua família, na tua profissão e no seu diaconato”. Entristecido e feliz ao mesmo tempo pelo amigo Dom Alfredo, encorajei-me e me despedi, não sem antes beijar-lhe sua mão e pedir-lhe sua benção. Até breve!
Diac. Narelvi

domingo, 13 de maio de 2012

NOTICIA DO PE. RENATO GNATTA

          Retornei esta semana de Moçambique, onde estávamos dirigindo retiro e também um seminário de formação espiritual para um grupo de 38 padres e irmãs religiosas.
  
          Que o Deus da Misericórdia te fortaleça na tua missão diaconal à Sua igreja.
No Verbo que se gente para servir
Renato,svd.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

DOM LADISLAU BIERNASKI, UM AMIGO E INCENTIVADOR DO DIACONATO PERMANENTE.

* 1937   +  13.02.2012

Tristeza para a Igreja terrena, mas alegria para a Igreja celeste. Faleceu ontem, Dom Ladislau Biernaski um homem de origem simples e que na simplicidade viveu e jamais portou-se com soberba apesar da sua excelente formação em todos os níveis dos conhecimentos humanos, principalmente dentro da sua maior vocação: a religiosa.

Dom Ladislau foi bispo auxiliar da Arquidiocese de Curitiba-Paraná de 1979 a 2006 tendo sido nomeado Bispo da Diocese de São José dos Pinhais em 06 de dezembro de 2006 e teve o privilégio de ter recebido a ordenação episcopal das sagradas mãos do hoje beato João Paulo II, em Roma.  

Um homem de Deus que teve a sua vida toda cheia de virtudes e como bispo soube liderar o povo  como verdadeiro pastor conduzindo-o com muita humildade e compreensão sempre com seus olhos voltados para os irmãos necessitados, premiando a Igreja Católica com os seus méritos.

"Ele é a nossa paz"

Conforme disse o Pe. Carlos Alberto Chiquim em sua mensagem, “Dom Ladislau era Lazarista e conhecido pela sua atuação junto às pastorais e movimentos sociais. O Paraná perde o seu maior profeta, homem simples, identificado com o povo e o grande defensor dos pobres, pequenos e injustiçados. “Ele é a nossa paz” era o lema de Dom Ladislau, lema este que vivenciou durante toda a sua vida de padre, bispo auxiliar e bispo diocesano. Atuante junto à Comissão Pastoral da Terra, da qual foi seu presidente até 2011, Dom Ladislau não media esforços para intermediar questões políticas e sociais, quando a vida dos mais simples estava em jogo. Fundador de pastorais sociais e entidades de defesa da vida, Dom Ladislau foi o secretario da CNBB, Regional Sul II para o quadriênio2007-2011”, além de outros infindáveis serviços.

Para nós diáconos permanentes, Dom Ladislau demonstrou sempre respeito e amizade, e reconhecia o tripé clerical: Bispos, presbíteros e diáconos sem os quais a Igreja não existiria.
Desde o seu tempo de bispo auxiliar de Curitiba, a sua participação pela instituição do diaconato permanente, ao lado de Dom Pedro Fedalto e Dom Mocyr José Vitti, inegavelmente foi decisiva para tornar realidade a Escola Diaconal São Filipe de Curitiba inclusive na condição de responsável pelo acompanhamento dos candidatos e diáconos, sempre presente, portanto, com suas palestras e orientações.  
Ao assumir a diocese de São José dos Pinhais, continuou confiando nos diáconos permanentes sob sua jurisdição atribuindo-lhes tarefas importantes na administração da diocese. Sempre foi amigo e acessível formando e ordenando novos diáconos permanentes.
Lamentamos a sua morte porque nos faz falta. Mas nos sentimos confortados porque tivemos um líder e dirigente espiritual, amigo de coração aberto, que hoje goza no Céu o prêmio merecido dos justos.
Que o seu exemplo, Dom Ladislau, fortaleça a nossa fé.
Diac. Narelvi

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Pe. SAVINIANO - APRESENTAÇÃO


Pe. Saviniano Gonçalves Ferreira
 *   20.08.1988 
+   29.05.1948

         Contava eu com seis anos de idade, criança portanto, e lembro de uma correria na minha rua. Meu pai Narcizo, agitado, caminhando rapidamente para a “casa do padre”, nosso vizinho, falou: “morreu o Pe. Saviniano!”.
         O Pe. Saviniano era um padre extraordinário em todos os sentidos. Um padre pai, amigo, compadre de muitos, que vivia os votos de pobreza como pobre de verdade, com tantas outras virtudes conforme contavam as pessoas mais velhas.           
       Devido a minha idade infantil na época,  não lembro da sua fisionomia mas recordo dele como a figura de um vulto de alguém de batina, e também da existência no seu quintal de galinhas galizé.
         Foi ele quem me batizou na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto no dia 02/02/1942, na minha cidade de Morretes Pr.
         Pois bem! Depois de muitos anos, manuseando alguns livros tombo da paróquia, encontrei uma pérola da história paroquial: narrativas sobre o falecimento do Pe. Saviniano que copiei e recentemente o meu primo Eric reproduziu.
Com certeza a maioria ou talvez até todos os meus leitores não chegaram a conhecer a pessoa exemplar deste padre. Mas se tiverem paciência de ler os documentos que apresento, principalmente a ata e o discurso, sentirão pela riqueza de detalhes escritos respectivamente pelo Pe.  Camargo (Pe. João Raimundo Camargo Penteado de Faria que assumiu em seguida a direção da paróquia na condição de Vigário) e Aguilar Morais, a sensação de já conhecê-lo.
Diác. Narelvi

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

CÓPIA DO REGISTRO EM ATA DO FALECIMENTO DO PADRE SAVINIANO


Livro Tombo número 5, folhas 92 verso a 97.
“FALECIMENTO DO VIGÁRIO REVERENDÍSSIMO
PADRE SAVINIANO GONÇALVES FERREIRA.”

Começo o lançamento dessas notas nesta página oitenta e seis, verso, donde passarei à página noventa e três por faltarem as páginas que medeiam. No dia vinte e nove do mês de maio de mil novecentos e quarenta e oito de Nosso Senhor Jesus Cristo, vim de Paranaguá, a convite dos Reverendos Padres Redentoristas, por não estarem bem familiarizados com a língua portuguesa, e para atender ao chamado por telefone de Morretes a fim de prestar espirituais auxílios ao Vigário acometido de mal súbito. Viajando no automóvel da Congregação dos Redentoristas, saímos de Paranaguá às dez horas da manhã e chegamos a Morretes às onze horas da manhã, o Reverendo Padre Guilherme Connors da Congregação dos Redentoristas, o Sr. Eleuter Rodrigues Viana, candidato à mesma Congregação e eu. Encontramos então o Reverendíssimo Vigário em estado de coma, vítima de um derrame cerebral ocorrido naquela noite. Morando sozinho, o Reverendíssimo Vigário fora encontrado naquele estado pelas autoridades locais, a chamado do Sr. Fábio de Souza que tomou essas providências, visto que o Vigário tardava em vir à Matriz, e se encontrava a casa Paroquial fechada, e não atendia a chamados e batidas. Apesar dos socorros médicos imediatos do Doutor Pedro Alves Baraúna, o Vigário não cobrou os sentidos. Ao Reverendíssimo Vigário desacordado prestou o Padre Guilherme os socorros espirituais, administrou a Extrema Unção. Duas horas depois chega Sua Excelência Reverendíssima o Senhor Arcebispo Metropolitano Dom Ático Eusébio da Rocha, acompanhado do Secretário do Arcebispado Reverendíssimo Padre Bernardo Krosinski. Sua Excelência Reverendíssima, com voz forte, pois o sentido de ouvir é o último que se perde, fez paternais recomendações espirituais ao Reverendíssimo Vigário que continuava desacordado, deu-lhe a bênção papal e deu-lhe a beijar a imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado, com indulgência plenária. Como era dia de sábado, os sacerdotes deviam voltar a seus trabalhos e Sua Excelência Reverendíssima tinha visita Pastoral marcada para o dia seguinte, e verificando-se que eu não tinha compromisso marcado nem colocação eclesiástica no momento, então Sua Excelência Reverendíssima mandou o Padre Secretário passar-me provisão de Vigário substituto, nesta data. Assim, nesta tarde, voltou Sua Excelência Reverendíssima com o Sr. Padre Secretário para Curitiba e o Sr. Padre Coadjutor para Paranaguá, e fiquei eu atendendo o Padre Vigário enfermo. Apesar da dedicação de outro médico, Dr. Abdon Nascimento, afilhado de batismo do Vigário, continuou o Revmo. Padre Saviniano em estado de coma até às dezenove e meia horas do mesmo dia vinte e nove de maio quando entrou em agonia: rezei então as orações litúrgicas da agonia e, ao finalizar, o Revmo. Padre Saviniano entregou sua alma ao Criador, termo de uma vida modelar e apostólica de trinta e quatro anos de paroquiato em Morretes. Soube-se pelos paroquianos que enchiam a casa paroquial e pela sobrinha do falecido, Sra. Eulita Ferreira Zanotto que era vontade do extinto ser sepultado em Araucária, sua terra natal, neste Estado do Paraná. Porém, Sua Excelência Reverendíssima, aliás, intérprete da vontade dos paroquianos, determinou que o Vigário fosse sepultado no Cemitério de Morretes, onde empregou os seus melhores esforços de toda sua vida sacerdotal, e assim se fez a vontade geral.
Morretes, 29 de maio de 1.948.
     (a)                 Pe. João Raimundo Camargo Penteado de Faria, -  Vigário Substituto”.

domingo, 11 de dezembro de 2011

DISCURSO DE AGUILAR MORAIS - Edição Pe. Saviniano

DISCURSO DO INTELECTUAL MORRETENSE, AGUILAR MORAIS,
À BEIRA DO TÚMULO DO PRANTEADO VIGÁRIO:

As palavras que vou ler foram por mim pronunciadas há mais de quatro anos, por ocasião de uma homenagem lítero-musical prestada, na Rádio Club Paranaense, ao Padre Saviniano, na qual tomaram também parte o poeta conterrâneo Sr. Dr. José Gelbeke, o ilustre musicólogo Benedito Nicolau dos Santos, o nosso querido Rodrigo de Freitas e outras pessoas:
“Minhas palavras não deverão ser apreciadas em sentido diverso daquele que eu lhes desejo emprestar. Têm elas apenas o cunho de um depoimento pessoal, o valor restrito de um testamento. O Padre Saviniano Gonçalves Ferreira, Vigário de Morretes há cerca de trinta anos, é um sacerdote paranaense, nascido em Araucária, e ligado, por laços de parentesco, a distintas famílias do nosso Estado. Se não me engano, iniciou e completou os seus estudos em Curitiba, onde se ordenou. Nada de misterioso, que aguce a curiosidade, há em sua vida limpa, que decorre como a de qualquer cidadão, desses que conhecemos desde a infância e de que seguimos todos os passos. De estatura acima da mediana, forte e risonho, amável, sabe ser de uma simplicidade e de uma modéstia incomuns, dando-nos a idéia de um São Cristóvão, que tivesse conseguido o milagre de concentrar no espírito todo o seu vigor físico, transformando-o em essência de bondade, de altruísmo, de caridade. Também do carvão de pedra, da hulha negra, que é calor, força, energia, se extraem perfumes, que geram sonhos e visões irreais. O vigário Saviniano já foi comparado a uma árvore robusta, cujo cerne não se presta a alimentar fornalhas, mas que fornece calor aos fogões dos pobrezinhos; árvore, que sempre pejada de flores e frutos, está plantada à porta das choças dos pequenos, dos que sofrem, para lhes dar a sua sombra, os seus parmos, a música das suas francas; árvore que alimenta o corpo e, como as lendas, fala aos homens uma linguagem cheia de ensinamentos, doces conselhos, de vida evangélica e simples. Infenso às pompas e postos, contrário a tudo quanto não seja natural, sábio e justo, foge o Padre Ferreira do convívio dos grandes e poderosos, para se acercar dos humildes, minorar-lhes os sofrimentos e ministrar-lhes, com a palavra meiga e sobretudo com o exemplo, as regras de viver piedosamente, no reino da ventura, que se alcança quando se chega à compreensão de que tudo no mundo é passageiro e que os homens são todos irmãos. Contudo, o Vigário Morretense não parece ser do seu século, se visto de um certo ângulo, que lhe enquadra a figura e lhe põe à mostra a alma apostolar, carregada de amor sem limites ao próximo, impregnada de piedade fraternal pelos seus semelhantes. Nesta época de transição e de angústia, em que mais feroz de nos mostra o egoísmo, avassalando a maioria das almas e das consciências e nelas destilando os seus venenos, o Padre Ferreira se assemelha a um elo de ouro solitário, desligado pelo tempo daquela corrente de amor, forjada por Jesus Cristo, e cujo segundo elo foi São Francisco de Assis, aparecendo agora, isolado, sem destino, perdido entre a montanha e o mar, no vale do Nhundiaquara...
O Vigário de minha terra tem da caridade uma noção de que as gerações contemporâneas rirão abertamente, julgando-a absurda, contrária às leis sociológicas, às diretrizes que se traçaram às nações e os homens desde há séculos. Ele não compreende a caridade que dá o que sobra, o que não faz falta, o que há em excesso; nem essa caridade que atira aos desvalidos a esmola com ostentação, que torna pública a dádiva, que transforma em moeda corrente e suja para edificação dos parvos, um ato puro que, se praticado às ocultas, sem alardes e sem ostentação, eleva e purifica a alma, ilumina a consciência e aproxima mais o homem de Deus, o Padre Ferreira pratica a caridade à sua maneira, como a pregava Jesus: reparte com o pobrezinho seu único pão, dá-lhe o agasalho que possui e fica, tiritando, ao frio. Nada lhe pertence, nada, quando seu irmão desventurado sofre necessidades.
Suas mãos estão sempre vazias, porque só tomam as cousas para as dar aos outros. Vazias, pensa ele, estão mais livres para abrir. O sacerdote que vive em Morretes veste-se pobremente, alimenta-se com frugalidade, não possui um vintém de seu. E oculta os benefícios que faz, nega-os risonhamente quando interpelado (graças atribuídas a Santa Filomena, de sua especial devoção, nota colhida do povo).
Quando sua batina desbota e começa a puir-se, são seus amigos, as senhoras, que o respeitam e veneram, quem primeiro se apercebe do mau estado das vestes sacerdotais. Cotizam-se, então, e oferecem-lhe uma batina nova. O Padre acha que não deve aceitar, reluta, deseja convencer seus amigos de que seu vestuário ainda serve, mas, afinal, como bom cristão, a recebe e aceita, sentindo-se, talvez mais próximo do Senhor por despojar-se do orgulho humano, por sentir-se menor do que os outros, por estender as mãos, no gesto humilde de receber. Este padre não é um asceta (anacoreta?), um fanático, nem mesmo um ser à parte, na vida da cidade em que reside. É um homem simples, chão acessível.
Dominando a língua latina, expressando-se em excelente linguagem, bastante culto e inteligente, quando prega parece estar conversando com o povo: nenhuma ênfase, nenhum tropo retórico, poucas parábolas, nenhum lance dramático. Conta às vidas dos Santos, narra os seus atos de heroísmo e de amor ao próximo e a sua crença, os seus martírios, a sua fé ardente, mas tudo de tal jeito, com os olhos tão baixos, com a expressão tão desnudada, que parece envergonhado.
Tem-se a impressão de que todas as grandezas, mesmo os sublimes sacrifícios dos mártires o deslocam, o ofuscam, o arrancam do seu natural, de sua santa simplicidade. Ponho o ponto final no meu depoimento, mas devo rematá-lo dizendo que o Padre Saviniano Gonçalves Ferreira, vigário de Morretes, é um santo do nosso tempo.”
Isto, dizia eu há quase um lustro. Repito-o, desolado, nesta hora triste em que o nosso grande amigo é chamado para o Reino de Deus, a cujo lado há um lugar para ele. Adeus, Padre Saviniano. Aqui fica, sangrando de dor, o coração deste povo que tanto te quis e que tanto amaste, protegeste e serviste, como sacerdote, como guia, como pai amantíssimo. Teu reino, padre, não era deste mundo. Passaste pela terra como uma estrela cadente, para lançar nas almas que te compreenderam e hauriram os teus ensinamentos, uma sementeira de luz, em que as flores divinas do amor, da preza, da bondade, do altruísmo e das mais belas virtudes cristãs desabrocharão à mil, como uma prova dos cuidados e da dedicação sem par do jardineiro que as semeou e as regou com suas lágrimas, dia a dia, minuto a minuto, dando-lhes às vezes o calor gerado pelos seus próprios sofrimentos físicos. No teu tugúrio, na tua humildade franciscana, durante trinta e cinco anos, cumpriste a missão sagrada que Deus te confiou: fazer o bem, purificar as almas, sofrer pelos outros. Cumpriste a tua dura e piedosa missão e voltaste para o Céu de onde vieste, de onde vieste, sim, porque seres corno tu só tem de humano o arcabouço material; a alma é luz celeste, que não morre, que não se extingue, que não se apaga.
Adeus, Padre Saviniano.
No coração morretense viverás como um santo que eras, num altar, perpetuamente incensado pela nossa imorredoura gratidão e pela nossa eterna saudade.
E agora eu peço a todos que, de joelhos, ergam suas preces a Deus pelo santo que foi o nosso irmão pobrezinho e cujo corpo se confunde com a terra-mãe, enquanto se evola para o Céu.”